Marvel's Wolverine tem fúria de sobra e história de menos
A Insomniac troca a Nova York de mundo aberto por arenas fechadas em Marvel's Wolverine, exclusivo de PS5. O combate com as garras de adamantium é o destaque; a narrativa dos mutantes, o ponto fraco.
Veredito baseado em teste completo, sem código de fornecedor pesar na nota.
Após três games do Aranha, a Insomniac chega com o game do mutante mais popular da Terra para mostrar que consegue fazer mais do que a Nova York de mundo aberto. Marvel's Wolverine chega ao PS5 em 15 de setembro de 2026 como exclusivo de plataforma, com aprimoramentos específicos para o PS5 Pro via PSSR. A boa notícia: a Insomniac entrega um grande jogo. A ruim: o elenco coadjuvante de mutantes não teve a atenção que merecia.
Entender essa escolha exige olhar para trás. A fórmula que consagrou o estúdio, com torres para escalar e mapas cheios de ícones repetidos, foi abandonada em favor de uma sequência de grandes arenas, cenários fechados e bem desenhados que funcionam como fases de um jogo das antigas, com espaço de sobra para explorar. Os mapas ambientados em Tóquio, no Japão, têm um cuidado visual que talvez só perca para a Nova York de Spider-Man 2.
O verdadeiro motivo para jogar é o combate, de longe a melhor parte. Rodando a 120 FPS com VRR ativado no PS5 base, a sensação de golpear, pular e rasgar inimigos com as garras de adamantium do Logan é rápida, suja e satisfatória. Os combos são simples de executar, e a dificuldade acompanha a evolução sem transformar a experiência numa aula de decoreba de inputs. A variedade de inimigos segura o interesse, com destaque para os ninjas do Tentáculo. Conforme os combos se acumulam, uma barra de fúria enche até o terceiro nível, ponto em que Logan vira uma besta enjaulada capaz de golpes letais contra a maioria dos oponentes na tela.
A progressão bebe da fórmula dos jogos do Homem-Aranha: sobe-se de nível quebrando cenário e inimigos, ganham-se pontos de experiência e desbloqueiam-se habilidades. As roupas alternativas, achadas em caixas de tecnologia, aumentam a vida máxima até o dobro da barra inicial; as garras são só estética. Os atributos vêm em linhas de DNA, desbloqueadas ao subir de nível e coletar garrafas de bebida espalhadas pelo cenário.
Na história, a Insomniac criou uma continuidade nova para os mutantes, sem compromisso com o cânone dos quadrinhos. A decisão dá liberdade criativa, mas é onde o jogo tropeça: o elenco coadjuvante, que inclui Mística, Dentes de Sabre, Sr. Sinistro e Jean Grey, não recebe o desenvolvimento que merecia, e boa parte das mudanças soa mais como mudar por mudar do que como reinvenção que acrescenta algo. Há plot twists óbvios e uma cena pós-créditos que já preocupa quanto à sequência. Os easter eggs espalhados em missões têm cara de fan service pouco trabalhado. Para o historiador, fica a lição de sempre: o contexto da época explica muita coisa, e a melhor história de um jogo da Marvel feito pela Insomniac ainda é o primeiro Spider-Man.
A localização mantém o problema de outros títulos Marvel da Sony, com nomes de personagens ditos em inglês o tempo inteiro. A vitória é pequena: pelo menos Wolverine é pronunciado volverine. A dublagem em português acerta ao assumir o tom para maiores, sem poupar palavrão. A trilha de David Fleming embala a ação sem deixar melodia marcante. No PS5 base, não houve bug ou queda de frame digna de nota, e o modo foto é tão completo quanto o de Spider-Man 2.
Para terminar coletando quase tudo, o jogador gasta entre 17 e 18 horas, podendo passar de 25 se buscar o rank Adamantium nas Cabanas de Pesadelo, hub de desafios extras que também guarda memórias do passado de Logan e vira o hub do Novo Game+. Depois de zerado, sobra pouca coisa além das cabanas ou de repetir missões atrás de colecionáveis. Marvel's Wolverine chega às lojas por R$ 399,90 na edição padrão e R$ 455,90 na Digital Deluxe, com upgrade de R$ 56,00 para quem já garantiu a versão anterior. Não é o jogo definitivo dos X-Men, mas entrega qualidade de sobra para quem gosta do Logan e curte ação no estilo God of War.