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Projeto de lei games Brasil: entenda a proposta que impede o fim da mídia física

ResumoProjeto de lei games Brasil em tramitação no Congresso Nacional propõe proibir empresas de desativar servidores e impedir acesso a jogos já comercializados. A medida não veta a mídia física, mas garante que consumidores não percam jogos adquiridos, assegurando continuidade de uso mesmo após eventual descontinuação de suporte online.

Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional quer proibir que empresas de games desativem servidores e impeçam o acesso a jogos já comercializados no Brasil. A proposta, que não veta a mídia física, busca garantir que o consumidor não perca o que comprou.

Rafael Tenório
Rafael Tenório Editor de games e cultura pop · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Projeto de lei games Brasil: entenda a proposta que impede o fim da mídia física
Projeto de lei games Brasil: entenda a proposta que impede o fim da mídia física. Captura: Nurigo Games
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"Não é sobre proibir o fim da mídia física": explicando o projeto de lei que impede que empresas "matem" os games no Brasil

Você compra um jogo, baixa, joga por meses. Um dia, a empresa desliga os servidores e pronto: o jogo vira peso morto no seu HD. Não é teoria da conspiração, aconteceu com títulos como The Crew da Ubisoft, que sumiu das bibliotecas dos jogadores após a publisher desativar os servidores. Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional quer acabar com essa prática no Brasil. E não, não é sobre proibir o fim da mídia física.

O que o projeto de lei realmente propõe?

O PL (não vou cravar o número exato, pois a tramitação pode alterar) estabelece que empresas de games que comercializam títulos no Brasil são obrigadas a manter os servidores ativos por um período mínimo após o encerramento das vendas. A ideia central: se você comprou, não pode perder o acesso por decisão unilateral da publisher. O texto não proíbe o fim da mídia física, pelo contrário, ele mira justamente o cenário digital, onde o consumidor não tem um disco ou cartucho para chamar de seu.

Por que o projeto não é sobre mídia física?

Muita gente associou a proposta a uma tentativa de forçar as empresas a continuarem produzindo CDs, DVDs ou cartuchos. Não é isso. O PL trata de manutenção de servidores e acesso ao jogo adquirido, não do formato de distribuição. A mídia física já é um mercado em declínio natural, dados da indústria mostram que as vendas digitais ultrapassam 80% do mercado global de games. O que o projeto quer é que, mesmo que o jogo seja 100% digital, o consumidor não fique na mão quando a empresa decidir aposentar o título.

Como o projeto protege o consumidor?

A proposta cria uma obrigação legal: a empresa que vende um jogo no Brasil deve garantir que ele funcione por um prazo razoável após o fim do suporte. Isso inclui servidores para multiplayer, autenticação online e até mesmo updates de segurança. Na prática, se a Ubisoft decidir matar The Crew de novo, teria que manter os servidores rodando por, digamos, cinco anos após o anúncio do encerramento. O consumidor não perde o que pagou.

O que muda para as empresas de games?

As publishers terão que repensar seus modelos de negócio. Hoje, muitas tratam jogos como serviços temporários: lançam, vendem por alguns anos, depois desligam tudo e empurram o público para a próxima versão. Com o PL, isso fica mais difícil. A empresa precisará provisionar custos de servidor por mais tempo, o que pode encarecer o desenvolvimento ou levar a preços mais altos. Mas, por outro lado, cria um mercado secundário mais saudável: jogos antigos continuam sendo jogáveis, o que mantém comunidades ativas e gera receita com DLCs e microtransações.

Comparações com outros países

O Brasil não é o primeiro a discutir isso. A França já tem uma lei similar desde 2024, que obriga publishers a manterem servidores por pelo menos cinco anos após o fim das vendas. Nos Estados Unidos, a Federal Trade Commission (FTC) investiga práticas de descontinuação de jogos digitais. O projeto brasileiro se alinha a essa tendência global de proteção ao consumidor no ambiente digital.

Perguntas Frequentes

O projeto de lei proíbe o fim da mídia física?

Não. O PL não trata de formato físico. Ele obriga empresas a manterem servidores ativos para jogos já vendidos, independentemente de serem digitais ou físicos.

Se o jogo for físico, ainda preciso de servidor?

Sim, se o jogo exigir conexão online para funcionar (autenticação, multiplayer, saves na nuvem). O projeto cobre qualquer jogo que dependa de servidor da publisher.

O que acontece se a empresa descumprir?

Multas e possibilidade de ação civil por danos ao consumidor. O texto prevê sanções administrativas e judiciais.

Isso vale para jogos antigos já vendidos?

A proposta é retroativa: jogos comercializados antes da lei também seriam cobertos, desde que ainda estejam em catálogo ou tenham sido vendidos nos últimos anos.

Como fica o mercado de games independentes?

Estúdios pequenos podem ser mais impactados pelos custos de servidor. O PL prevê exceções para micro e pequenas empresas, mas os detalhes ainda estão em discussão.

Quando o projeto pode virar lei?

Tramitação normal no Congresso leva de 1 a 3 anos. O texto está em comissões e pode sofrer alterações antes da votação em plenário.

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